Kerygma

Capítulo 17

1

O sopro da minha vida vai-se consumindo, os meus dias se extinguem e só me resta o sepulcro

2

Cercam-me escarnecedores, os meus olhos têm de ver os seus escárnios.

3

Livra-me, Senhor, e põe-me junto de ti, e (então) combata contra mim a mão de quem quer que for.

4

Tu afastaste da inteligência o seu coração, por isso não serão exaltados. (ver nota)

5

Há quem prometa a presa aos companheiros, quando os olhos de seus filhos desfalecem. (ver nota)

6

Ele me reduziu a ser objecto de riso do povo, sou um (homem) a quem se cospe no rosto.

7

Os meus olhos escureceram-se de amargura, todos os meus membros são como uma sombra.

8

Os justos pasmam disto (que me acontece), e o inocente se levanta contra o ímpio. (ver nota)

9

Mas o justo persistirá no seu caminho, e aquele que tem as mãos puras crescerá em fortaleza.

10

Voltai, enfim, vós todos, vinde; não acharei entre vós nenhum sapiente? (ver nota)

11

Os meus dias passaram, os meus projetos ruíram, os projetos queridos do meu coração.

12

Tornam a noite em dia; em face das trevas (dizem que) a luz está próxima.

13

Ainda que eu espere com paciência, o sepulcro será a minha casa, e tenho preparado o meu leito nas trevas.

14

Eu disse à podridão: Tu és meu pai! E aos vermes: Vós sois minha mãe e minha irmã.

15

Onde está, pois, agora a minha esperança? E a minha felicidade, quem a pode ver?

16

Todas as minhas coisas descerão ao mais profundo do sepulcro; e julgas tu que eu, ao menos neste lugar, terei descanso?

Texto: Bíblia Matos Soares, domínio público.

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